evitar a “interferência antropogénica perigosa com o sistema climático”

O acordo de Paris é inequívoco no seu apelo a uma mudança de paradigma nas nossas sociedades, estipulando como medida global de ambição a descarbonização praticamente total da sociedade global até ao final do século.

descarbonização e a neutralidade carbónica

Acordo de Paris

A história da ciência das alterações climáticas evoluiu em torno do conceito de um nível de alteração climática considerado como um risco aceitável para as sociedades humanas e para os ecossistemas que as suportam. Desde 1992 que o objetivo enunciado da Convenção-Quadro para as Alterações Climáticas é evitar a “interferência antropogénica perigosa com o sistema climático”.

Em Paris em 2015, os países quantificaram esse objetivo e concretizaram-no: a meta de evitar a subida da temperatura média global a mais de 2ºC acima da temperatura da época pré-industrial, e fazer esforços para evitar mesmo uma subida acima dos 1,5ºC foi estabelecida. Por sua vez, esse objetivo climático só pode ser atingido com razoável probabilidade (>50%) se as emissões globais líquidas chegarem a zero até ao final do presente século – surge por isso o conceito da neutralidade carbónica, que não é mais do que o corolário coerente do compromisso tido pelas nações já em anteriores cimeiras do clima.

MUDANÇA DE PARADIGMA

Entende-se por neutralidade carbónica o valor nulo de emissões líquidas de gases com efeito de estufa (GEE) (i.e. emissões menos remoções) do total nacional de emissões constante do inventário que o país submete no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC).

O acordo de Paris é inequívoco no seu apelo a uma mudança de paradigma nas nossas sociedades, estipulando como medida global de ambição a descarbonização praticamente total da sociedade global até ao final do século. Essa necessidade de descarbonização suporta-se nos cenários produzidos pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas.